quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Atire-me

Atire-me nos abismos da alma
Envolva-me com a dor de anjos caídos
Não esconda a incontrolável lástima
No desepero ignorado
A salvação, um desejo negado
Preces sem resposta murmuradas no desalento
A queda eterna e a lembrança
O mais intenso sofrimento
O conhecimento- a oferta de sacrifício
Saber é descobrir-se vazio e perdido
Silêncio- o eterno suplício
Tomando a alma com desesperada melancolia
A felicidade- permitida apenas
Àqueles que não carregam o fardo
De conhecer o próprio fim
Atire-me nesse abismo
Nada me resta nesse mundo
A não ser a última lágrima
E a dor que dilacera
Como foi e como será
Por todo o sempre:
Anjos caídos, lágrimas, sofrimentos
Amores perdidos, desespero
E o abismo à minha frente:
Meu último e mais seguro refúgio

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